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Cesárea por quê?

Pela primeira vez no Brasil, o número de cesáreas superou o de partos normais. Em 2010, o percentual de partos cirúrgicos chegou a 52% do total. Ao contrário do que acontece em outros países, aqui a cesárea não é uma cirurgia reservada a mulheres com problemas de saúde, mas sim uma intervenção realizada de forma indiscriminada em gestantes absolutamente saudáveis. E não dá para culpar as mães. Pesquisas mostram que 80% delas preferem o parto normal. Para os bebês, uma consequência que começa a ser estudada é o aumento do número de prematuros tardios, aqueles que são retirados do ventre materno em cirurgias agendadas, sem que estejam completamente maduros, o que aumenta o risco de problemas respiratórios.

Por Luciana Benatti

Nesta reportagem reunimos depoimentos de quatro mulheres que vivenciaram situações que, no Brasil, costumam terminar com a gestante deitada na mesa de cirurgia: cesárea anterior, bebê “grande demais”, idade materna “avançada” e gravidez de gêmeos. Nenhuma dessas condições é indicação de cesárea, assim como também são falsas outras justificativas que costumamos ouvir todos os dias, como “cordão enrolado”, “placenta velha”, “falta de dilatação”, “bacia estreita” e “bebê que não encaixou” (fora de trabalho de parto). Mas essas mulheres só conseguiram escapar da cirurgia porque se informaram, sabiam muito bem o que queriam e procuraram profissionais que compartilhassem da mesma visão, baseada em evidências científicas e nas recomendações da Organização Mundial da Saúde. Conheça abaixo as histórias de Gláucia, Carol, Maria e Moema.

Bebê “grande demais”

Parir um bebê de 4 730g é uma experiência de superação

Quando Rafael nasceu, todo mundo se espantou: era do tamanho de um bebê de três meses! Primeiro filho de Carol, ele veio ao mundo de parto normal. E encontrou uma mãe pronta para cuidar dele. “Eu tinha um bebezão, que mamava bastante. E estava absolutamente zerada”.

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Cesárea anterior

Decidi que não seria enganada novamente

Na primeira gestação, Gláucia dizia à médica que queria parto normal, e a profissional desconversava. Helena nasceu numa cesárea que hoje ela considera mal indicada. Quando engravidou de Rafael, resolveu que seria diferente. Ele só nasceria de cesárea se fosse realmente necessário.

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Idade materna “avançada”

“Depois dos 30, não recomendo parto normal”, ouvi de um amigo obstetra

Para Maria, o fato de ter quase 40 anos quando engravidou pela primeira vez nunca foi empecilho para o parto normal. O mais difícil foi encontrar profissionais que pensassem como ela.

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Gravidez de gêmeos

Precisamos de exemplos bons

Na família de Moema, todas as mulheres tiveram filho de parto normal. Ela também, no nascimento de sua primeira filha. Na segunda gestação, de gêmeos, isso foi importante para lhe dar forças, quando todos diziam que seria muito difícil.

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