A importância de construir bons hábitos alimentares para toda a família

As taxas de obesidade no Brasil alcançam atualmente 20% da população, segundo a Pesquisa Nacional de Saúde de 2019. E as taxas de sobrepeso variam entre 55 e 60% da população adulta do país.

A estimativa para crianças é de que 6,4 milhões tenham excesso de peso no Brasil, e 3,1 milhões já evoluíram para obesidade.

Diante destes dados alarmantes, sabemos que a construção de hábitos saudáveis se inicia na infância e garante um futuro mais saudável e maior longevidade.

Os primeiros 1.000 dias de um bebê (fase que compreende desde a gestação até o bebê completar 2 anos de idade) é um período muito importante para investirmos na nutrição da criança, pensando em programação metabólica.

Logo, ao planejar uma gravidez, a família deve buscar melhorar seu estilo de vida. Evitar hábitos nocivos (como o cigarro, álcool e alto consumo de alimentos ultraprocessados), praticar atividades físicas e adotar uma alimentação balanceada. Sabemos que as crianças imitam os hábitos alimentares de seus pais e/ou cuidadores.

Ensinar uma criança a comer bem, é muito mais fácil, rápido e vantajoso do que reeducar a alimentação de um adulto. Assim, há uma grande janela de oportunidades durante a fase de gestação, amamentação e introdução alimentar.

DICAS SOBRE AMAMENTAÇÃO E INTRODUÇÃO ALIMENTAR:

A amamentação exclusiva deve ser feita até os 6 meses de vida do bebê, fase em que se inicia a introdução alimentar. A OMS (Organização Mundial da Saúde) preconiza que o aleitamento materno seja feito até os 2 anos de idade ou mais.

Alguns estudos comprovaram que o aleitamento materno mantido até pelo menos 10 meses reduz os riscos de obesidade e síndrome metabólica na vida adulta.

Compostos bioativos presentes no leite materno podem influenciar a composição da flora intestinal da criança, melhorando a relação entre alimentação complementar e ganho de peso, distúrbios metabólicos e doenças cardiovasculares na adolescência e vida adulta.

Existem fortes correlações entre preferências alimentares estabelecidas durante a primeira infância e as escolhas na infância tardia, adolescência e vida adulta.

Um estudo, publicado no The American Journal of Clinical Nutrition, em 2019, mostra que os bebês podem detectar sabores transmitidos pela dieta no leite materno, como alho, baunilha e cenoura poucas horas após uma única ingestão da mãe. No período de 1 a 4 meses após o parto, a ingestão repetida de uma variedade de vegetais também é suficiente para transmitir o gostinho deles para o leite. Para chegar a estas conclusões, os pesquisadores revisaram dezenas de estudos sobre o tema que foram publicados entre de janeiro de 1980 a junho de 2017.

Após os 6 meses de aleitamento exclusivo do bebê se inicia o período de introdução alimentar. Nesta fase, devem ser oferecidos exclusivamente alimentos in natura, como frutas, cereais, tubérculos, leguminosas, carnes, verduras e legumes, de preferência orgânicos.

Importante ressaltar que apesar da introdução de alimentos, o leite sob livre demanda deve ser o principal alimento do bebê até 1 ano de vida.

Dos 6 meses até o 1º ano de vida, há uma evolução da textura dos alimentos, para que com 1 ano, o bebê passe a se alimentar com a mesma comida da sua família.

DICAS IMPORTANTES PARA A ALIMENTAÇÃO DA FAMÍLIA:

– Preferir alimentos in natura e orgânicos, sempre que possível;

– Variar e consumir de 3 a 4 frutas ao dia;

– Consumir verduras e legumes diariamente;

– Fazer um prato bem colorido;

– Cozinhar é um excelente hábito que pode ajudar seu filho (a) a comer melhor;

– Lembrar de beber pelo menos 2 litros de água ao dia.

Como deve ser a composição de um prato para o almoço ou jantar de crianças e adultos?

– A metade do prato deve ser composta por saladas, verduras e legumes (2 ou mais opções)

– Proteínas – Carnes, ovos e leguminosas – devem compor ¼ do prato

– Carboidratos (massas, tubérculos e cereais) – devem compor ¼ do prato e preferencialmente composto por alimentos integrais.

Como melhorar a alimentação dos pais?

– Evitar alimentos ultraprocessados, como salgadinhos,  embutidos, biscoitos, etc;

– Evitar refrigerantes, mesmo zero, afinal a criança se interessa pelos alimentos e bebidas consumidos pelos seus pais;

– Evitar telas durante as refeições;

– Fazer refeições em família, sempre que possível;

– Troque biscoitos por uma fruta, como a banana com aveia.

 

Texto: Juliana Godoy Lucena
Nutricionista CRN 23.916

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